sexta-feira, 13 de abril de 2012

LESÕES NO BALLET CLÁSSICO



O Ballet Clássico


- História do ballet no Brasil


No Brasil, a primeira apresentação do ballet clássico foi realizada no Real Teatro de São João, no Rio de Janeiro, em 1813, um espetáculo dirigido por Lacombe, mas, só um século depois, com as apresentações das companhias russas de Diaghilev e de Pavlova, também no Rio de Janeiro, já no Teatro

Municipal, o ballet brasileiro deslanchou definitivamente. Criou-se em 1927 a Escola de Dança do Teatro Municipal.


- Níveis de Aprendizado:


 Nível 1  Básico (principiantes), aulas 1-2 vezes por semana, baixo impacto, sapatilhas sem pontas, posições básicas dos pés e braços, controle do tronco e início dos giros. Aprendizagem de combinações. As lesões mais freqüentes se associam com os giros de quadril, joelhos e tornozelos.


 Nível 2 Intermediário: aulas 3-5 vezes por semana, para as meninas início das pontas, maior complexidade dos saltos. Atitudes mais avançadas e posições de equilíbrio. Aumenta a freqüência das aulas e podem incluir cursos de férias com professores não familiares, com cargas horárias maiores. Deve-se ter o cuidado ao incrementar excessivamente as rotações laterais e a flexibilidade para o nível do estudante.


Nível 3 Avançado: mais trabalho de pontas; exercício de barra e centro que fortalecem os membros inferiores que preparam para o trabalho mais complexo de pontas. Os dois primeiros metatarsianos suportam a maior parte do peso corporal nas pontas o que causa sua remodelação e podem fraturar-se durante o treinamento ou durante a carreira profissional. essa fase tem início as danças de par (pas de deux), podem ocorrer lesões com levantamentos não adequados. Iniciam-se grandes saltos e manobras complexas.


- Fundamentos básicos:


Movimentos de grande amplitude de membros inferiores, giros em torno do seu eixo e também fora dele, saltos verticais e com deslocamento anterior, lateral

e posterior, aterrisagens bipodais e monopodais e muitas vezes passos que englobam todos esses movimentos.


- Biomecânica dos principais fundamentos:


No ballet clássico a bailarina sempre se apresentará em rotação lateral de quadril, desde as 5 posições básicas do ballet, que exigem uma importante rotação lateral dos membros inferiores, onde o ideal é uma rotação lateral de 90º, até durante as tarefas mais complexas, sobre apoio unipodal, saltos e aterrissagens.


As cinco posições básicas dos pés no ballet clássico exigem uma máxima rotação lateral dos membros inferiores, esse fato auxilia na execução de movimentos graciosos e estéticos dos bailarinos. Infelizmente também colocam tensões significantes nas articulações do pé e do tornozelo.


As lesões no ballet:


Os diferentes tipos de lesões podem guardar relação importante com o nível de aprendizado em que o bailarino se encontra.

Podemos encontrar 2 diferentes grupos de lesões entre os praticantes de ballet, as lesões agudas como um entorse, queda, choque com outro bailarino e etc e as lesões crônicas geralmente causadas por má técnica ou overuse.


Entre os fatores de risco de lesões estão:

- inicio precoce da atividade

- baixo peso

- chão inadequado

- falha do equipamento

- Erro de técnica

- Treino excessivo

- Mal condicionamento


Incidência de Lesões:


Em um estudo realizado em São Paulo, com 33 bailarinos sendo 30 mulheres e 3 homens com idades de 12 a 29 anos (M=18,36) encontramos:

Articulações: Tornozelo (75%), Joelho (63%) e Pé (51%)

Grupos Musculares: Virilha (54%), posterior de coxa (45%) e panturrilha (30%)

Lesões mais comuns: Entorse de tornozelo (66%), Distensão virilha (48%) e Tendinites (39%).[16]


O membro inferior tem a função de locomoção e sustentação de peso, é formado pelo osso do quadril, fêmur, tíbia, fíbula e ossos do tarso. As articulações são quadril, joelho, tornozelo e intertársicas.

A lesão que comumente acomete o quadril dos bailarinos é o estiramento ou distensão dos adutores do quadril, causado por não aquecimento adequado das estruturas e/ ou alongamento excessivo em exercícios para aumentar a amplitude de movimento. Outra possibilidade é a bursite subtroncantérica causada pela flexibilidade inadequada ou assimetria da faixa iliotibial ou tensor da fascia lata, o sinal clínico é dor lateral do quadril. Ainda no quadril pode ocorrer tendinite por sobrecarga do rotador ou dos adutores, pinçamento de iliopsoas e irritação do piriforme. Quando se avalia uma patologia no quadril é importante avaliar toda a coluna lombar, pois mobilidade limitada no quadril resulta em aumento da tensão da coluna e vice-versa.

A coluna lombar é freqüentemente solicitada em extensão, esse movimento é de extrema força e causa grande tensão nos ossos, ligamentos e estruturas musculares da parte posterior. Falta de mobilidade, força ou resistência pode resultar em dano significante.

Os bailarinos possuem uma alta incidência de lesões no joelho, porém a natureza e o tipo dessas lesões se diferem daquelas sofridas por atletas de outras atividades esportivas. No caso do ballet clássico os fatores que causam lesões são as forças aplicadas no joelho quando o quadril está em rotação lateral.

A hipermobilidade do joelho, traduzida em hiperextensão, pode causar genu recurvatum e uma perda da estabilidade do joelho. Dessa forma, o bailarino que não possui um “en dehors” ou rotação lateral do quadril eficiente, pode compensar girando o joelho para alcançar a direção do pé, que também estará rodado lateralmente. Isso altera a cadeia cinética aplicando maiores tensões ao ligamento colateral medial, causando dores mediais nesta articulação.

O bailarino deve ser orientado a respeitar o limite da rotação externa do quadril, o pé e o joelho devem estar na mesma posição. Se o pé estiver mais rodado lateralmente que o joelho e o quadril, ao realizar movimentos de dobrar os joelhos, chamado “plie” na nomenclatura do ballet clássico, o bailarino causará um movimento torcional na articulação gerando maior tensão do ligamento colateral medial.

As lesões de ligamento cruzado anterior e meniscos são raras, as lesões mais freqüentes são patelofemorais e do ligamento colateral medial. As síndromes patelofemorais ocorrem pela desaceleração rápida do movimento e freqüentemente os bailarinos descrevem a dor quando pousam de um salto ou em progressiva flexão de joelho. Nesses bailarinos encontra-se o músculo vasto medial enfraquecido e fadigável.

A posição de meia ponta deixa a musculatura intrínseca do pé e o tornozelo em uma situação muito instável e requer o máximo do suporte dos ligamentos. Esses podem estar lesados de acordo com o grau de entorse ocorrido. 

Classificação:


 Grau 1: lesão parcial do talofibular anterior

 Grau 2: lesão completa do talofibular anterior

 Grau 3: lesão completa do talofibular anterior e calcâneo fibular.

No entorse de grau 3 é indicado a intervenção cirúrgica para o reparo dos ligamentos. Alguns autores sugerem que esse procedimento pode aumentar o risco do bailarino vir a desenvolver uma instabilidade crônica do tornozelo. Outros já relatam que muitos danos podem ter a estabilidade recuperada e recomendam imobilização antes do reparo cirúrgico.

As lesões ligamentares, principalmente do tornozelo e do joelho, são freqüentes em bailarinos, e o tratamento depende do grau de severidade da lesão. Do ponto de vista da reabilitação, o mais importante é o fortalecimento muscular, já que a musculatura deve assumir parte da função estabilizadora que foi perdida pelo ligamento.

As lesões do pé e tornozelo mais comuns nos bailarinos são as lesões ligamentares decorrentes de entorses, as tendinites de calcâneo e do flexor longo do halux, fasceíte plantar, ruptura do tendão calcâneo, subluxação do cubóide e fraturas do 5º metatarso, da fíbula, do maléolo lateral ou do maléolo medial.

Os pés dos bailarinos têm tendência de possuir uma estrutura do normal ao cavo. Essa estrutura é funcional para os movimentos exigidos pela dança. Entre os praticantes de dança, o pé e o tornozelo são os locais mais comuns de lesões agudas e crônicas.

Existem muitas lesões as quais os bailarinos estão predispostos e, por sua vez, essas lesões podem determinar o fim da carreira de um bailarino. As lesões podem ser classificadas de modo geral como lesão por abuso, overuse (ou uso excessivo) e desuso. Os traumas podem ser agudos ou crônicos, os agudos atingem principalmente as cartilagens, ligamentos e estruturas ósseas, já os crônicos envolvem principalmente a unidade musculotendínea.

Por ser o ballet uma disciplina artística de altas exigências físicas e mentais, os profissionais da área de saúde envolvidos nos cuidados com estes atletas, tem o dever de estarem familiarizados com as diferentes técnicas de treinamento e considerar a importância da prevenção de lesões.

“O ballet não é esporte, no entanto, os bailarinos podem ser considerados atletas que utilizam seus corpos como instrumento para construir uma obra de arte. Devem ser condicionados, treinados e reabilitados como tais, respeitando evidentemente as particularidades que sua atividade lhes atribui”.

O ballet clássico é o envolvimento no mundo artístico através de uma prática complexa e extremamente técnica que exige do seu praticante um desempenho de atleta.

Bibliografia:

MENDES. L Lesões no Ballet Clássico. Disponível em : <http://www.fisiolucasmendes.com.br/2010/04/lesoes-no-ballet-classico.html>. Acesso em 13 abrl. 2012. 



sábado, 19 de novembro de 2011

ALONGAMENTO E AQUECIMENTO MUSCULAR.


MOVIMENTO.
Os seres humanos para se movimentar, dependem da transformação da energia química em energia mecânica. Todos estes mecanismos de força gerada estão diretamente interligados ao sistema de alavancas pertencente ao nosso corpo. Estes sistemas, que tem como principais elementos ossos e músculos são responsáveis pelos movimentos, possibilitando assim realizar as atividades de vida diária. 
Devemos compreender os músculos de duas maneiras, a primeira é destacando a capacidade que ele tem em realizar trabalho, a segunda é analisando o músculo como uma grande estrutura complexa com diferentes mecanismos estruturais pertencentes ao sistema.
O tecido muscular é formado basicamente por três camadas de tecido conjuntivo que são determinantes na resistência passiva encontrada durante o alongamento muscular e por elementos elásticos que tem papel importante devido às deformações na flexibilidade. Os componentes elásticos exercem uma força de restauração em resposta pela mudança de comprimento, já os componentes viscosos exercem uma força de resposta à velocidade e duração de mudança de comprimento.
O trabalho executado pelos músculos e ossos repetidamente durante uma atividade física pode gerar um desgaste e também pode facilitar a ocorrência de lesões decorrentes de um mau treinamento, falta de aquecimento, encurtamento ou outros problemas comumente encontrados nos indivíduos. Vale lembrar que, para prevenir determinadas lesões protocolos diferenciados de aquecimento são aceitos por técnicos e atletas como forma de prevenção de possíveis lesões. Pois diante de estudos, ficou provado que um músculo aquecido tem menor chance de ser lesionado do que um músculo frio.

AQUECIMENTO MUSCULAR

O aquecimento é classificado em duas categorias, o aquecimento geral que envolve alongamento e movimento corporal de forma global, e o aquecimento específico que simula os movimentos necessários durante a ação real. Pois, além da mobilidade articular, o aquecimento é importante, por aprimorar o desempenho subseqüente com menor probabilidade de lesão. Deve-se realizar sempre o alongamento de forma gradual e suficiente para aumentar a temperatura muscular.
O aquecimento específico aumenta a capacidade coordenativa, provoca uma redistribuição do sangue e o aumento da irrigação dos músculos garantindo suprimento de oxigênio, favorecendo o metabolismo muscular.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO.

Muito se tem falado e escrito a respeito da amplitude de movimento e segmentos articulares. A relação de flexibilidade e amplitude de movimento está diretamente associada, isto significa que a flexibilidade é a capacidade de movimentar uma articulação através da sua amplitude de movimento disponível, sem atingir demasiado estresse múscultendíneo. As definições quanto flexibilidade ainda são motivo para discussão entre diversos autores que tratam deste assunto em específico. A medida da amplitude de movimento articular (ADM) é um componente importante na avaliação física, pois identifica as limitações articulares, bem como permite aos profissionais acompanharem de modo quantitativo e qualitativo a eficácia das intervenções terapêuticas e também a mudança de métodos de treinamentos.
A amplitude de movimento varia de indivíduos para indivíduos de acordo com a idade, sexo, prática de atividade física, presença ou ausência de disfunções e o grau de força muscular.

POR QUE ALONGAR.

Os exercícios de alongamento possuem um papel preventivo importante eles preparam a musculatura, favorecem a recuperação e permitem evitar problemas tendinosos, musculares, distensões, lacerações, contraturas e articulares. Permitindo desta forma uma melhor mobilidade, e uma melhor flexibilidade e intervem no reequilíbrio dos problemas morfológicos e correções posturais. Os exercícios de alongamento também têm um papel anti-estresse proporcionando um bem-estar.
IMPORTANTE SABER: O aumento do comprimento muscular adquirido após um treinamento e/ou atividade física persiste entre duas horas até dois dias, diminuindo progressivamente dependendo da intensidade e tempo de alongamento. Os ganhos no alongamento são particularmente importantes durante os primeiros meses.
O alongamento atua no corpo como um todo, o músculo é o primeiro a ser alongado, muitas vezes os elementos conectivos que envolvem a articulação (ligamentos e cápsulas) podem estar retraídos ou fibrosados e conseqüentemente, podem limitar os movimentos por tanto o alongamento atua com muita eficácia no relaxamento das estruturas envolvidas, os vasos sanguíneos também são beneficiados com o alongamento contribuindo para expulsão de líquidos contidos no tecido, melhorando a drenagem circulatória e evitando a estase liquida (edema, hematoma). Os nervos são submetidos a tensão permanente (estresse) e o músculo é constantemente encurtado. Os exercícios de alongamento contribuem para diminuir essa tensão muscular.
Os exercícios de alongamento proporcionam reações dos tecidos. Período elástico, e período plástico. 

músculo em repouso
Período elástico: Manutenção após o alongamento, o músculo recupera o seu comprimento de repouso.
Período plástico: Melhoria: após o alongamento, obtém um ganho durável com modificação dos tecidos.
  

Antes de um alongamento deve-se realizar um aquecimento sistêmico, ou seja, para o corpo todo como, por exemplo, uma corrida de aproximadamente 10 a 15 minutos. Em caso de um treinamento esportivo pode realizar o aquecimento especifico.

Quanto tempo deve manter o alongamento?

    Esta questão ainda é assunto de discussão em artigos científicos, o tempo de alongamento varia dependendo do objetivo de cada individuo, porém para que um ganho de amplitude articular seja mais eficaz 30 segundos pode ser um tempo ideal para praticantes de atividades físicas, já atletas tem um tempo superior dependendo da modalidade esportiva.        


 Bibliografia:

GEOFFORY. C. Alongamento para todos. 9.ed. São Paulo. Manole. 2001.

PEREIRA.P. R. NENEVE .P. R. Comparação do efeito imediato de um protocolo de aquecimento sistêmico e de esforço máximo isocinético na amplitude articular de extensão do joelho. Curitiba. 2009.