O Ballet Clássico
- História do ballet no Brasil
No Brasil, a primeira
apresentação do ballet clássico foi realizada no Real Teatro de São João, no
Rio de Janeiro, em 1813, um espetáculo dirigido por Lacombe, mas, só um século
depois, com as apresentações das companhias russas de Diaghilev e de Pavlova,
também no Rio de Janeiro, já no Teatro
Municipal, o ballet brasileiro
deslanchou definitivamente. Criou-se em 1927 a Escola de Dança do Teatro
Municipal.
- Níveis de Aprendizado:
Nível 1 Básico (principiantes), aulas 1-2 vezes por
semana, baixo impacto, sapatilhas sem pontas, posições básicas dos pés e
braços, controle do tronco e início dos giros. Aprendizagem de combinações. As
lesões mais freqüentes se associam com os giros de quadril, joelhos e
tornozelos.
Nível 2 Intermediário: aulas 3-5 vezes por
semana, para as meninas início das pontas, maior complexidade dos saltos.
Atitudes mais avançadas e posições de equilíbrio. Aumenta a freqüência das
aulas e podem incluir cursos de férias com professores não familiares, com
cargas horárias maiores. Deve-se ter o cuidado ao incrementar excessivamente as
rotações laterais e a flexibilidade para o nível do estudante.
Nível 3 Avançado: mais trabalho
de pontas; exercício de barra e centro que fortalecem os membros inferiores que
preparam para o trabalho mais complexo de pontas. Os dois primeiros
metatarsianos suportam a maior parte do peso corporal nas pontas o que causa
sua remodelação e podem fraturar-se durante o treinamento ou durante a carreira
profissional. essa fase tem início as danças de par (pas de deux), podem
ocorrer lesões com levantamentos não adequados. Iniciam-se grandes saltos e
manobras complexas.
- Fundamentos básicos:
Movimentos de grande amplitude de
membros inferiores, giros em torno do seu eixo e também fora dele, saltos
verticais e com deslocamento anterior, lateral
e posterior, aterrisagens
bipodais e monopodais e muitas vezes passos que englobam todos esses movimentos.
- Biomecânica dos principais
fundamentos:
No ballet clássico a bailarina
sempre se apresentará em rotação lateral de quadril, desde as 5 posições
básicas do ballet, que exigem uma importante rotação lateral dos membros
inferiores, onde o ideal é uma rotação lateral de 90º, até durante as tarefas
mais complexas, sobre apoio unipodal, saltos e aterrissagens.
As cinco posições básicas dos pés
no ballet clássico exigem uma máxima rotação lateral dos membros inferiores,
esse fato auxilia na execução de movimentos graciosos e estéticos dos
bailarinos. Infelizmente também colocam tensões significantes nas articulações
do pé e do tornozelo.
As lesões no ballet:
Os diferentes tipos de lesões
podem guardar relação importante com o nível de aprendizado em que o bailarino
se encontra.
Podemos encontrar 2 diferentes
grupos de lesões entre os praticantes de ballet, as lesões agudas como um
entorse, queda, choque com outro bailarino e etc e as lesões crônicas
geralmente causadas por má técnica ou overuse.
Entre os fatores de risco de
lesões estão:
- inicio precoce da atividade
- baixo peso
- chão inadequado
- falha do equipamento
- Erro de técnica
- Treino excessivo
- Mal condicionamento
Incidência de Lesões:
Em um estudo realizado em São
Paulo, com 33 bailarinos sendo 30 mulheres e 3 homens com idades de 12 a 29
anos (M=18,36) encontramos:
Articulações: Tornozelo (75%),
Joelho (63%) e Pé (51%)
Grupos Musculares: Virilha (54%),
posterior de coxa (45%) e panturrilha (30%)
Lesões mais comuns: Entorse de
tornozelo (66%), Distensão virilha (48%) e Tendinites (39%).[16]
O membro inferior tem a função de
locomoção e sustentação de peso, é formado pelo osso do quadril, fêmur, tíbia,
fíbula e ossos do tarso. As articulações são quadril, joelho, tornozelo e
intertársicas.
A lesão que comumente acomete o
quadril dos bailarinos é o estiramento ou distensão dos adutores do quadril,
causado por não aquecimento adequado das estruturas e/ ou alongamento excessivo
em exercícios para aumentar a amplitude de movimento. Outra possibilidade é a
bursite subtroncantérica causada pela flexibilidade inadequada ou assimetria da
faixa iliotibial ou tensor da fascia lata, o sinal clínico é dor lateral do
quadril. Ainda no quadril pode ocorrer tendinite por sobrecarga do rotador ou
dos adutores, pinçamento de iliopsoas e irritação do piriforme. Quando se
avalia uma patologia no quadril é importante avaliar toda a coluna lombar, pois
mobilidade limitada no quadril resulta em aumento da tensão da coluna e
vice-versa.
A coluna lombar é freqüentemente
solicitada em extensão, esse movimento é de extrema força e causa grande tensão
nos ossos, ligamentos e estruturas musculares da parte posterior. Falta de
mobilidade, força ou resistência pode resultar em dano significante.
Os bailarinos possuem uma alta
incidência de lesões no joelho, porém a natureza e o tipo dessas lesões se
diferem daquelas sofridas por atletas de outras atividades esportivas. No caso
do ballet clássico os fatores que causam lesões são as forças aplicadas no
joelho quando o quadril está em rotação lateral.
A hipermobilidade do joelho,
traduzida em hiperextensão, pode causar genu recurvatum e uma perda da
estabilidade do joelho. Dessa forma, o bailarino que não possui um “en dehors”
ou rotação lateral do quadril eficiente, pode compensar girando o joelho para
alcançar a direção do pé, que também estará rodado lateralmente. Isso altera a
cadeia cinética aplicando maiores tensões ao ligamento colateral medial,
causando dores mediais nesta articulação.
O bailarino deve ser orientado a
respeitar o limite da rotação externa do quadril, o pé e o joelho devem estar
na mesma posição. Se o pé estiver mais rodado lateralmente que o joelho e o
quadril, ao realizar movimentos de dobrar os joelhos, chamado “plie” na
nomenclatura do ballet clássico, o bailarino causará um movimento torcional na
articulação gerando maior tensão do ligamento colateral medial.
As lesões de ligamento cruzado
anterior e meniscos são raras, as lesões mais freqüentes são patelofemorais e
do ligamento colateral medial. As síndromes patelofemorais ocorrem pela
desaceleração rápida do movimento e freqüentemente os bailarinos descrevem a
dor quando pousam de um salto ou em progressiva flexão de joelho. Nesses
bailarinos encontra-se o músculo vasto medial enfraquecido e fadigável.
A posição de meia ponta deixa a
musculatura intrínseca do pé e o tornozelo em uma situação muito instável e
requer o máximo do suporte dos ligamentos. Esses podem estar lesados de acordo
com o grau de entorse ocorrido.
Classificação:
Grau 1: lesão parcial do talofibular anterior
Grau 2: lesão completa do talofibular anterior
Grau 3: lesão completa do
talofibular anterior e calcâneo fibular.
No entorse de grau 3 é indicado a
intervenção cirúrgica para o reparo dos ligamentos. Alguns autores sugerem que
esse procedimento pode aumentar o risco do bailarino vir a desenvolver uma
instabilidade crônica do tornozelo. Outros já relatam que muitos danos podem
ter a estabilidade recuperada e recomendam imobilização antes do reparo
cirúrgico.
As lesões ligamentares,
principalmente do tornozelo e do joelho, são freqüentes em bailarinos, e o
tratamento depende do grau de severidade da lesão. Do ponto de vista da
reabilitação, o mais importante é o fortalecimento muscular, já que a
musculatura deve assumir parte da função estabilizadora que foi perdida pelo
ligamento.
As lesões do pé e tornozelo mais
comuns nos bailarinos são as lesões ligamentares decorrentes de entorses, as
tendinites de calcâneo e do flexor longo do halux, fasceíte plantar, ruptura do
tendão calcâneo, subluxação do cubóide e fraturas do 5º metatarso, da fíbula,
do maléolo lateral ou do maléolo medial.
Os pés dos bailarinos têm
tendência de possuir uma estrutura do normal ao cavo. Essa estrutura é
funcional para os movimentos exigidos pela dança. Entre os praticantes de
dança, o pé e o tornozelo são os locais mais comuns de lesões agudas e crônicas.
Existem muitas lesões as quais os
bailarinos estão predispostos e, por sua vez, essas lesões podem determinar o
fim da carreira de um bailarino. As lesões podem ser classificadas de modo
geral como lesão por abuso, overuse (ou uso excessivo) e desuso. Os traumas
podem ser agudos ou crônicos, os agudos atingem principalmente as cartilagens,
ligamentos e estruturas ósseas, já os crônicos envolvem principalmente a
unidade musculotendínea.
Por ser o ballet uma disciplina
artística de altas exigências físicas e mentais, os profissionais da área de
saúde envolvidos nos cuidados com estes atletas, tem o dever de estarem
familiarizados com as diferentes técnicas de treinamento e considerar a importância
da prevenção de lesões.
“O ballet não é esporte, no
entanto, os bailarinos podem ser considerados atletas que utilizam seus corpos
como instrumento para construir uma obra de arte. Devem ser condicionados,
treinados e reabilitados como tais, respeitando evidentemente as
particularidades que sua atividade lhes atribui”.
O ballet clássico é o
envolvimento no mundo artístico através de uma prática complexa e extremamente
técnica que exige do seu praticante um desempenho de atleta.
Bibliografia:
MENDES. L Lesões no Ballet Clássico. Disponível em : <http://www.fisiolucasmendes.com.br/2010/04/lesoes-no-ballet-classico.html>. Acesso em 13 abrl. 2012.
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