sábado, 18 de junho de 2011

PILATES NA LOMBALGIA GESTACIONAL.

O período gestacional tem duração de aproximadamente 40 semanas ou 280 dias. Este período é composto de diversas mudanças submetendo o corpo da mulher a adaptações anatômicas e fisiológicas, que criam o preparo de um meio adequado para o feto crescer e se desenvolver.

As mudanças anatômicas ocorridas durante a gestação podem causar alterações no andar da gestante contribuindo para uma variedade de condições de uso excessivo do sistema músculo-esquelético. As exigências que essas mudanças fazem sobre a mulher nunca devem ser subestimadas. Sendo que para a metade de todas as gestantes esse acontecimento é inevitável, existindo, porém, falta de conhecimento sobre patogenia e as manifestações clínicas.

A lombalgia é conceituada como toda condição de dor e/ou rigidez, localizada na região inferior do dorso, em uma área situada entre o último arco costal e a prega glútea. É freqüentemente acompanhada pela lombociatalgia, que se constitui de dor que se irradia daquela região para um ou ambos os membros inferiores. A mecânica da região lombar é inseparável da mecânica postural geral, principalmente da pelve e dos membros inferiores. Uma distensão mecânica ou funcional que cause desequilíbrio de uma parte do corpo irá resultar em alterações compensatórias. Um desequilíbrio pode começar com fraqueza ou distensão dos músculos abdominais; em mulheres a gravidez pode ser a causa. A dor lombar acompanha com freqüência o ato de carregar crianças, e as pacientes têm recebido alívio completo da dor através de tratamento para fortalecer os músculos abdominais e corrigir a má postura.

Mais de um terço das mulheres grávidas se referem a lombalgia como um problema severo, que interfere em suas atividades de vida diária e capacidade de trabalho, além de contribuir para insônia por se manifestar durante a noite.

Aproximadamente 50% a 75% das mulheres experimentam algum tipo de dor nas costas em alguma fase de sua gravidez, acarretando em prejuízo ou limitação em suas atividades domésticas e profissionais. A dor lombar é considerada três vezes mais comum entre mulheres grávidas quando comparada ao resto da população. Os mecanismos implicados na gênese da lombalgia na gravidez são das mais variadas ordens. Entre os mais importantes podemos citar a lordose excessiva, a frouxidão ligamentar devido à secreção de relaxina pelo corpo amarelo e/ou a pressão direta do feto sobre as raízes nervosas lombossacrais. Portanto, a lordose excessiva provocada pela protrusão do abdome gravídico modifica a mecânica do equilíbrio entre a bacia e o segmento lombar da coluna. Essa modificação, ao acionar grupos musculares que não possuem função nítida ou constante no período pré-gestacional, os predispõe a fadiga e, posteriormente, à dor lombar.

Seguindo a lógica das cadeias musculares do corpo humano, qualquer mau posicionamento de um segmento corporal pode causar uma desorganização do todo. No método Pilates o corpo é convidado a se alinhar, a manter essa isometria da musculatura estática organizando os tecidos ao redor dos ossos e articulações e o resultado é uma organização biomecânica e o movimento eficaz.

Para uma prática segura de exercícios a gestante precisa ser orientada quanto ao alinhamento corporal e descarga de peso. O alinhamento corporal deve ser, sempre, mantido para não reforçar a tendência natural da gestação de desalinhamento causado pela frouxidão ligamentar e excesso de peso. A descarga de peso precisa ser bem distribuída, pois do contrário a articulação sacro-ilíaca poderá ser sobrecarregada, gerando assim inflamação e dor. Portanto, a meta de alcance do movimento eficiente, retorno para movimentos funcionais e melhora da performance é o fundamento do trabalho do Pilates evoluído, que na gestação acredita-se promover a saúde da mulher e conseqüentemente do bebê.

A atividade física para gestantes nem sempre foi alvo de estudos, pois há alguns anos atrás acreditava-se que o período gestacional era para a mãe ficar hibernando durante os aproximados nove meses.

Parece óbvio que a prática de atividades físicas que não causem um cansaço excessivo e reforce as musculaturas mais exigidas neste período, como a abdominal (músculo reto, oblíquo interno e externo, transverso), a do entre pernas (músculos vulvares, perineais, e parte dos glúteos), a das costas (grande dorsal, trapézios, rombóides) e peitoral (peitoral maior e menor) venham a ser as mais indicadas às gestantes. Neste sentido, o Método Pilates, como uma nova e recente modalidade de atividade física está em grande ascensão e aceitação e atende às necessidades citadas acima, com base em seus princípios. Com exercícios que podem ser realizados tanto em aparelhos como no solo é possível a execução de diferentes combinações de movimento assim como a adequação dos exercícios às necessidades de cada pessoa. No caso de gestantes, enfatizando a estabilidade e o conforto a fim de evitar o comprometimento postural agravado pela força da gravidade quando em pé e combinado com trabalho de outras musculaturas, buscando sempre acelerar também a recuperação pós-parto. O número de atendimentos semanais do método, podendo ser individual ou em grupo, deve ser de no mínimo duas vezes na semana, com duração de 60 minutos, agradáveis e ritmadas, de modo que ao final da sessão a pessoa esteja disposta e sem dor. Grande parte dos estudos publicados até então são favoráveis às proposições do método.

(Fonte: Cristiana Gomes Machado at al. O MÉTODO PILATES NA DIMINUIÇÃO DA DOR LOMBAR EM GESTANTES.

Cristina Aparecida Neves Ribeiro Machado. Efeitos de uma abordagem fisioterapêutica baseada no método Pilates, para pacientes com diagnóstico de lombalgia, durante a gestação.
Frederico Dagnese, Elisandro de Assis Martins. O MÉTODO PILATES E A GRAVIDEZ - Associação Brasileira de Pilates).

terça-feira, 7 de junho de 2011

PILATES NA REABILITAÇÃO.

   O Pilates configura-se pela tentativa do controle o mais consciente possível dos músculos envolvidos nos movimentos. Os exercícios que compõem o método envolvem contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e, principalmente, isométricas, com ênfase no que Joseph denominou power house (ou centro de força) que é composto pelos músculos abdominais, glúteos e paravertebrais lombares, que são responsáveis pela estabilização estática e dinâmica do corpo. Então, durante os exercícios a expiração é associada à contração do diafragma, do transverso abdominal, do multífido e dos músculos do assoalho pélvico.

   O método é recomendado para ganho de flexibilidade, definição corporal, e para melhora da saúde e qualidade de vida. Recentemente ganhou espaço e popularidade no tratamento de atletas de elite na reabilitação, sendo empregado no tratamento de desordens neurológicas, dor crônica, problemas ortopédicos e lombalgia. Sendo uma das técnicas utilizadas pelo fisioterapeuta no tratamento de diversas disfunções, torna-se imprescindível que se conheçam suas aplicações, contra-indicações, forma de utilização, como outras características; oferecendo ao paciente a técnica de forma adequada à alteração apresentada.

   O método tem efeitos positivos quando utilizado em gestantes. Estas buscam o método devido a leveza dos movimentos, e através dele obtêm relaxamento e aumento na abertura da caixa torácica, devido à respiração. Além disso, por trabalhar a musculatura abdominal e do assoalho pélvico, há prevenção da diástese abdominal e da incontinência urinária.

   Quando aplicado na população idosa, o Pilates melhora força e mobilidade, que geralmente estão alteradas devido doenças degenerativas como a artrite; auxilia na manutenção da pressão arterial, além de influenciar na calcificação óssea, que através da aplicação do método, aliada ao uso de medicação apropriada.

   Outra indicação para o uso do Pilates, como uma forma de reabilitação precoce, no período pré-operatório quanto no pós-operatório de artroplastia de quadril e joelho. No primeiro período, o método ajuda a aumentar força, mobilidade e amplitude de movimento (ADM) da articulação acometida e das adjacentes; maximizando a função e flexibilidade. Após artroplastia total de quadril ou joelho, o método foi utilizado com os mesmos objetivos do período pré-operatório. O Pilates foi eficaz nessa população por permitir exercícios precoces e que respeitassem os limites de movimentação - como flexão do quadril até 90º - como também auxiliar no aumento de resistência dos músculos adjacentes.

   O método também é difundido como uma forma de tratamento para alterações posturais. A aplicação do Pilates em paciente com escoliose idiopática é uma ferramenta eficaz no combate à progressão da escoliose e até mesmo melhorar as condições da mesma, melhorando a função da coluna e reduzindo a dor.

   Estudos  mostram que o Pilates pode ser uma ferramenta eficaz do fisioterapeuta na reabilitação, apresentando benefícios variados e poucas contra-indicações. Mesmo quando estas existem, como é o caso da posição supino em gestantes, os exercícios podem ser realizados em outras posturas. A maioria dos estudos mostrou apenas contra-indicações relativas, ou seja, que não impedem a aplicação do método, apenas exigem algumas alterações e cuidados. As indicações são muitas e variadas, podendo ser aplicada em populações especiais - como gestantes, idosos e atletas - e também em diversos problemas ortopédicos, entre eles diminuição de flexibilidade, e alterações posturais . Mostrando assim, que o Pilates pode ser utilizado pelo fisioterapeuta na reabilitação de diferentes populações e disfunções, sempre seguindo os princípios do método e respeitando as condições individuais.

(Fonte: Anne Caroline Luz Grüdtner, Giuliano Mannrich: PILATES NA REABILITAÇÃO: Uma Revisão Sistemática).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

EXEMPLOS DO MÉTODO PILATES SOLO.












OSTEOPOROSE E A PREVENÇÃO COM O MÉTODO PILATES

A osteoporose é definida como uma deterioração do tecido ósseo, isto é, trata-se de perda de massa e diminuição da mineralização óssea. Essa falha da estrutura óssea torna o osso mais suscetível a fraturas, o que afeta a qualidade de vida do indivíduo, seja por suas conseqüências físicas, psicossociais e/ou financeiras e a torna um problema de saúde pública.
Na Europa, Estados Unidos e Japão, a osteoporose acomete cerca de 75 milhões de pessoas8 e estima-se que ocorrerão mais de 8 milhões de fraturas de quadril nos próximos 50 anos.
A osteoporose atinge ambos os sexos, jovens e idosos, contudo, há uma maior prevalência para o sexo feminino e idosos. A proporção sexual é de três mulheres para cada homem. Isto pode ser explicado pela diferença de comprimento de seus ossos, visto que ossos menores tendem a ser mais frágeis e, portanto, mais suscetíveis a fraturas; e pela diferença hormonal, o que também justifica a maior prevalência em indivíduos da terceira idade, etapa da vida em que ocorre diminuição das taxas hormonais. Além disso, apresentam maior pré-disposição indivíduos sedentários, da raça branca, com baixo índice de massa corporal, que apresentam desordens endócrinas, predisposição genética e que fazem uso excessivo de bebidas alcoólicas e cigarros.
A osteoporose é classificada em dois tipos: I: pós-menopausa e II: osteoporose senil. O tipo I é o que mais atinge as mulheres. Trata-se da osteoporose por conseqüência da diminuição dos hormônios sexuais, que ocorre durante a menopausa. Essa diminuição desses hormônios estrógeno e progesterona promove um aumento do recrutamento dos osteoclatos, cuja finalidade é promover a reabsorção de massa óssea e diminuir a absorção de cálcio pelos intestinos. Portanto, ocorrerá uma maior reabsorção de massa em contraste com uma produção normal ou reduzida desta. O tipo II é conhecido como osteoporose senil por manifestar-se em indivíduos com idade avançada, sejam mulheres, sejam homens. Nesse caso, ocorrerá uma queda na produção óssea, por diminuição ou inativação dos osteoblastos, que são as células responsáveis por essa função. Portanto, ocorrerá uma reabsorção normal ou aumentada e uma produção insuficiente para repor a perda de massa.
A osteoporose é uma patologia silenciosa, ou seja, normalmente é assintomática até que ocorra uma fratura. No entanto, o indivíduo pode apresentar quadros de dor crônica, deformidades ósseas pela formação inadequada de osso, especialmente da região torácica, com conseqüentes compressões viscerais, comprometimentos respiratórios e déficits de mobilidade, situações que interferirão na qualidade de vida.
Sendo o Método Pilates uma proposta de atividade física com finalidades terapêuticas, sendo utilizado para a prevenção e/ou tratamento de diversas patologias osteo-mio-articulares como a osteoartrite e até mesmo em gestantes. No caso específico da prevenção de fraturas osteoporóticas, o pilates pode ser indicado por promover o aumento da força muscular, o ganho de flexibilidade, a melhora da coordenação motora, do equilíbrio, da postura, propriocepção e da respiração. O ganho de força muscular é conquistado através de exercícios resistidos por cargas externas, que podem ser a gravidade, o peso do próprio corpo, as molas dos aparelhos ou as bolas Bobath, solicitados de acordo com a realidade de cada cliente. O aumento da força auxilia na remodelação óssea, através do estímulo mecânico que a contração muscular imprime aos ossos, promovendo a proteção destes. O fortalecimento, assim como em qualquer modalidade esportiva, é conquistado gradativamente.
O alongamento gradativo dos músculos conquistado com o método promove a diminuição de encurtamentos e tensões musculares localizadas, os quais podem ser responsáveis por alterações posturais significativa e deixar estruturas ósseas mais suscetíveis à forca mecânica. Além disso, o alongamento bem orientado auxilia no reequilíbrio muscular entre os grupos agonistas e antagonistas. O estímulo à coordenação motora é constante durante a realização dos exercícios do Método Pilates. Ela é conquistada através da precisão dos movimentos e dos recursos utilizados durante o exercício. O manuseio das molas quando em studio e bolas, realização de exercícios unilaterais, bilaterais e alternados, exige que o praticante demonstre domínio e, dessa forma, obtem-se trabalhos coordenados. O manuseio destes equipamentos também impõe ao praticante a necessidade de equilíbrio corporal para a manutenção das posturas em que os exercícios devem ser realizados. Logo, o equilíbrio se torna um dos grandes objetivos do método e um de seus diferenciais. O alongamento axial promovido pelo pilates é importante na prevenção das microfraturas das vértebras, principalmente das torácicas que são as mais acometidas, por diminuir a compressão exercida entre uma vértebra e sua adjacente. Pela ênfase dada ao trabalho respiratório durante a realização de cada um dos exercícios, o pilates promove a reeducação da respiração e, dessa forma, reduz a tensão e o gasto de energia dos músculos envolvidos no processo respiratório.
Somando-se todos os objetivos almejados pelo pilates, obtem-se o que se caracteriza como uma das filosofias do método, que é a melhora da consciência corporal, isto é, o autoconhecimento, fundamental para a realização de cada um dos movimentos do corpo. Pilates valoriza muito a interação do corpo e da mente para que haja perfeita harmonia e menor gasto de energia durante a realização das atividades da vida diária.
Sabe-se que toda e qualquer atividade física deve ser adaptada para atender as necessidades do indivíduo com osteoporose e possibilidade de fratura. Com o pilates, deve ser da mesma forma. Cabe ao instrutor de pilates ter conhecimento a respeito da osteoporose, para que seja possível adaptar os exercícios a necessidade de cada um.
A adaptação dos exercícios é feita com base na avaliação física do indivíduo e em seu potencial risco de fratura. Assim é possível determinar a intensidade, freqüência e tipo de exercícios a serem realizados.
Portanto, tendo como precauções basicamente as mesmas de outras modalidades esportivas, o pilates pode ser realizado por indivíduos osteoporóticos, como forma de auxílio a prevenção de quedas e melhora da saúde geral.
(Fonte: Brena Guedes de Siqueira Rodrigues; O Método Pilates e a Prevenção de Fraturas Osteoporóticas: http://www.efisioterapia.net - portal de fisioterapia y rehabilitacion).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

MÉTODO PILATES

   Joseph Hubertus Pilates nascido, na cidade de Mönchengladbach, Alemanha, em 1883 é considerado o criador do Método Pilates. Na adolescência já praticava muitos esportes como ginástica, esqui, mergulho e boxe. No período da 1ª Guerra Mundial, mas em 1923 quando se muda para a cidade de Nova Iorque, Joseph abre seu primeiro Studio de Pilates. Seu trabalho, porém, só teve repercussão a partir dos anos 40, principalmente entre os dançarinos, tais como Ruth St. Denis, Ted Shawn, Martha Graham, George Balanchine e Jerome Robbins. O criador do Pilates morreu no ano de 1967, aos 87 anos, sem deixar herdeiros. Muitos estudantes de Joseph e sua esposa Clara Pilates abriram seus próprios studios. Ron Fletcher,(um dançarino de Martha Graham, que estudou com Joseph na década de 40), abriu seu studio em Los Angeles, em 1970. Clara ficou fascinada com o trabalho de Ron Fletcher e lhe deu permissão para difundir o nome e o trabalho de “Pilates”. Junto com Carola Trier, Fletcher trouxe inúmeras inovações e avanços para o trabalho de “Pilates”. Atualmente, o “Método Pilates” conta com milhões de usuários e continua se expandindo por todo o mundo, graças aos benefícios e às importantes mudanças que promove na vida de seus praticantes, contribuindo para a sua qualidade de vida e longevidade. Além disto, ao longo do tempo, a ciência vem confirmando a importância da prática de movimentos de forma contínua, proporcionando ajustes funcionais constantes ao corpo, interferindo preventivamente nas disfunções musculoesqueléticas e outras doenças sistêmicas.
   Seu sistema de exercícios associa diferentes conceitos e técnicas, com o objetivo de melhorar a flexibilidade, o condicionamento físico, a consciência corporal, o equilíbrio e a força muscular. O Pilates se baseia em seis princípios: respiração, concentração, centro, precisão, fluidez e controle. Os exercícios são rítmicos de força e alongamentos. As aulas apresentam movimentos fluentes, feitos sem pressa e com poucas repetições.

(Fonte:aliancabrasileiradepilates.com.br;demarkondespilates.com.br; Associação Brasileira de Pilates).

   Dentro dos limites de atuação dos métodos e técnicas inerentes à Fisioterapia, o método “Pilates” se enquadra no âmbito das atividades regulamentadas pela Fisioterapia como recurso mecano-cinesio-terápico e quando administrado unicamente por um fisioterapeuta será sempre reconhecido como fisioterapia.
(CREFITO8).

OBS: O Pilates dentro de sua universalidade trabalha para atingir os objetivos dos alunos em todos os métodos, seja Studio(equipamentos) ou Solo (bola, bosu, meia lua etc...).