O Pilates configura-se pela tentativa do controle o mais consciente possível dos músculos envolvidos nos movimentos. Os exercícios que compõem o método envolvem contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e, principalmente, isométricas, com ênfase no que Joseph denominou power house (ou centro de força) que é composto pelos músculos abdominais, glúteos e paravertebrais lombares, que são responsáveis pela estabilização estática e dinâmica do corpo. Então, durante os exercícios a expiração é associada à contração do diafragma, do transverso abdominal, do multífido e dos músculos do assoalho pélvico.
O método é recomendado para ganho de flexibilidade, definição corporal, e para melhora da saúde e qualidade de vida. Recentemente ganhou espaço e popularidade no tratamento de atletas de elite na reabilitação, sendo empregado no tratamento de desordens neurológicas, dor crônica, problemas ortopédicos e lombalgia. Sendo uma das técnicas utilizadas pelo fisioterapeuta no tratamento de diversas disfunções, torna-se imprescindível que se conheçam suas aplicações, contra-indicações, forma de utilização, como outras características; oferecendo ao paciente a técnica de forma adequada à alteração apresentada.
O método tem efeitos positivos quando utilizado em gestantes. Estas buscam o método devido a leveza dos movimentos, e através dele obtêm relaxamento e aumento na abertura da caixa torácica, devido à respiração. Além disso, por trabalhar a musculatura abdominal e do assoalho pélvico, há prevenção da diástese abdominal e da incontinência urinária.
Quando aplicado na população idosa, o Pilates melhora força e mobilidade, que geralmente estão alteradas devido doenças degenerativas como a artrite; auxilia na manutenção da pressão arterial, além de influenciar na calcificação óssea, que através da aplicação do método, aliada ao uso de medicação apropriada.
Outra indicação para o uso do Pilates, como uma forma de reabilitação precoce, no período pré-operatório quanto no pós-operatório de artroplastia de quadril e joelho. No primeiro período, o método ajuda a aumentar força, mobilidade e amplitude de movimento (ADM) da articulação acometida e das adjacentes; maximizando a função e flexibilidade. Após artroplastia total de quadril ou joelho, o método foi utilizado com os mesmos objetivos do período pré-operatório. O Pilates foi eficaz nessa população por permitir exercícios precoces e que respeitassem os limites de movimentação - como flexão do quadril até 90º - como também auxiliar no aumento de resistência dos músculos adjacentes.
O método também é difundido como uma forma de tratamento para alterações posturais. A aplicação do Pilates em paciente com escoliose idiopática é uma ferramenta eficaz no combate à progressão da escoliose e até mesmo melhorar as condições da mesma, melhorando a função da coluna e reduzindo a dor.
Estudos mostram que o Pilates pode ser uma ferramenta eficaz do fisioterapeuta na reabilitação, apresentando benefícios variados e poucas contra-indicações. Mesmo quando estas existem, como é o caso da posição supino em gestantes, os exercícios podem ser realizados em outras posturas. A maioria dos estudos mostrou apenas contra-indicações relativas, ou seja, que não impedem a aplicação do método, apenas exigem algumas alterações e cuidados. As indicações são muitas e variadas, podendo ser aplicada em populações especiais - como gestantes, idosos e atletas - e também em diversos problemas ortopédicos, entre eles diminuição de flexibilidade, e alterações posturais . Mostrando assim, que o Pilates pode ser utilizado pelo fisioterapeuta na reabilitação de diferentes populações e disfunções, sempre seguindo os princípios do método e respeitando as condições individuais.
(Fonte: Anne Caroline Luz Grüdtner, Giuliano Mannrich: PILATES NA REABILITAÇÃO: Uma Revisão Sistemática).
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