sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A COLUNA VERTEBRAL.


    A dor nas costas é um agravo à saúde que acompanha o homem desde o início dos tempos, sua prevalência é elevada e ela ocorre indistintamente na população. Estima-se que de 70% a 85% da população terá algum episódio de dor nas costas no decorrer da vida, As doenças da coluna vertebral constituem uma das maiores causas
de consultas médicas e de afastamento definitivo do trabalho no mundo. Isso representa um alto custo social e financeiro para a sociedade devido as perdas profissionais e da qualidade de vida.
   
    As modificações corporais que acompanham os indivíduos com o passar dos anos e a ocorrência de doenças crônicas acarretam um desgaste nos componentes de sustentação da coluna, alterando a anatomia e a fisiologia, levando, conseqüentemente, a morbidades variadas e à possibilidade de ocorrência de dor nas costas. Ela é causada por doenças inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, defeitos congênitos, debilidade muscular, predisposição reumática, sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais.

    Freqüentemente, a dor nas costas não decorre de doenças específicas, mas sim de um conjunto de causas, como fatores sociodemográficos (idade, sexo, renda e escolaridade), comportamentais (fumo e baixa atividade física), exposições ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho físico extenuante, vibração, posição viciosa, movimentos repetitivos) e outros (obesidade, morbidades psicológicas). É grande a quantidade de tempo e recursos gastos com os pacientes portadores desse tipo de morbidade, sendo que a procura por tratamento aumenta a cada dia. A demanda em hospitais e clínicas ocasiona um aumento de despesas com cuidados com a saúde. Vários estudos epidemiológicos têm descrito o tema dor lombar, dor cervical e dor torácica, sendo a primeira com maior prevalência na população.

    As mulheres apresentaram risco superior ao dos homens para dor nas costas. Alguns estudos epidemiológicos atribuem esse achado a um viés de informação, porém ele é plausível, uma vez que as mulheres, cada vez mais, combinam a realização de tarefas domésticas com o trabalho fora de casa, onde estão expostas a cargas ergonômicas, principalmente repetitividade, posição viciosa e trabalho em grande velocidade. Além disso, o sexo feminino apresenta algumas características anatomofuncionais (menor estatura, menor massa muscular, menor massa óssea, articulações mais frágeis e menos adaptadas ao esforço físico extenuante, maior peso de gordura) e ligadas à modulação no sistema nervoso as quais podem colaborar para o surgimento e maior intensidade das dores.

    O tratamento do paciente envolve, além do tratamento específico da doença de base, quando for o caso, educação ao paciente para melhorar a auto-eficácia, medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos e, para alguns pacientes, cirurgia.

Aspectos Anatômicos.
    
    A coluna vertebral é flexível porque as vértebras são móveis, mas a sua estabilidade depende principalmente dos músculos e ligamentos. Embora seja uma entidade puramente esquelética, do ponto de vista prático, quando nos referimos à “coluna vertebral”, na verdade estamos também nos referindo ao seu conteúdo e aos seus anexos, que são os músculos, nervos e vasos com ela relacionados. Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do corpo.

    É constituída de 24 vértebras móveis pré-sacrais (7 cervicais, 12 torácicas e 5 lombares). As cinco vértebras imediatamente abaixo das lombares estão fundidas no adulto para formar o sacro. As quatro vértebras mais inferiores também se fundem para formar o cóccix. As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção inferior até o sacro, tornando-se a partir daí sucessivamente menores.


O Disco Intervertebral.

    São coxins elásticos que formam as articulações fibrocartilagíneas entre os corpos vertebrais adjacentes. Consiste tipicamente de um núcleo pulposo circundado por um anel fibroso. No ânulo fibroso, duas porções podem ser identificadas. A porção externa está fortemente ancorada aos corpos vertebrais adjacentes, misturando-se aos ligamentos longitudinais. É a porção ligamentar do ânulo fibroso. A porção interna forma um denso envelope esferoidal ao redor do núcleo pulposo. O núcleo pulposo, que ocupa o centro do disco, é branco, brilhante e semigelatinoso. É altamente plástico e comporta se como um fluido.



Estrutura Histológica e Bioquímica.

    A porção externa do ânulo fibroso é constituída de 10 a 12 lamelas concêntricas de fibras colágenas, dispostas em forma de espiral, num ângulo de 65 graus com a vertical. A camada interna é de constituição fibrocartilagínea. O núcleo pulposo consiste de um núcleo central de matriz de proteoglicanos bem hidratada. Esse alto conteúdo de água é máximo ao nascimento e diminui com a idade, possuindo um ritmo nictemeral, diminuindo o conteúdo aquoso durante o dia (variação de 1 a 2 cm na altura do disco). Com o avançar da idade, todo o disco tende a ficar fibrocartilagíneo, adelgaçando-se e sofrendo fissuras.


Funções.

1. Ânulo fibroso:
– ajuda a estabilizar os corpos vertebrais adjacentes;
– permite o movimento entre os corpos vertebrais;
– atua como ligamento acessório;
– retém o núcleo pulposo em sua posição;
– funciona como amortecedor de forças.


2. Núcleo pulposo:
– funciona como mecanismo de absorção de forças;
– troca líquido entre o disco e capilares vertebrais;
– funciona como um eixo vertical de movimento entre duas
vértebras.

    A coluna vertebral sofre com várias variantes de carga e sobre carga durante as atividades do dia-a-dia isso pode desenvolver quadros patológicos assim como as más formações congênitas e as degenerações causas pela idade, sexo, raça entre outros. Algumas das doenças que afetam a coluna vertebral serão descritas em outro tópico.


 REFERÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS.

FERREIRA D. Gustavo et. al. Prevalência de dor nas costas e fatores associados em adultos do sul do Brasil: estudo de base populacional. Rev. bras. fisioter. vol.15 no.1 São Carlos jan./fev. 2011 Epub 04-Mar-2011.


NATOUR, J. Coluna Vertebral: conhecimentos básicos. São Paulo: etcetera, 2004.

Um comentário:

  1. Ao ler este artigo, parecia estar assistindo aos sintomas da minha dor, pois tenho uma 'M' vertebra 'l 5', mal formada de nascença. Só que agora está intensificando, as dores na panturrilha, no lado Fibular e na lateral do Halux, além de com muito tempo em pé, minha perna Esquerda começa a ficar dormente, coisa que antes não ficava, era só o Ciático Direito, que me tira o conforto, pois não aguento mais que 20 minutos ficar em pé, ou caminhar, tenho que sentar ou alongar, se não doi demais. Procurei um especialista, e ele queria colocar uma espécie de calço, na 'M' vertebra, parafusado a ela, mais o custo era muito alto, e sem garantias que daria certo, fiquei receoso e não fiz, mais voltei a penssar denovo, pois ao dores estão intensificando, e eu já tenho 52 Anos, e um futuro inserto, pois não consigo fazer nenhuma atividade física, pois todas requerem as pernas, e as dores não dão alívio.

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